Instituto TIM

Classificar

TIM Faz Ciência explora 7 operações intelectuais necessárias à construção do conhecimento.
Aqui vamos falar sobre a operação Classificar.

 

Imagine alguém que, ao voltar de um supermercado, decida armazenar as compras sem nenhum critério. Ele põe, por exemplo, a lata de cera na geladeira, o queijo no armário de limpeza, a pasta de dente no guarda-roupa, sem procurar estabelecer nenhuma semelhança ou distinção entre os objetos que agrupa. A vida doméstica se tornaria um caos! Produtos perecíveis se estragariam e achar um objeto necessário poderia levar horas. Na arrumação das compras – assim como na organização de documentos ou roupas – sempre lançamos mão de uma forma de classificar e ordenar objetos, mesmo que não tenhamos clara consciência dos critérios por meio dos quais o fazemos.

A atividade de classificar faz parte das estratégias humanas de sobrevivência e organização da vida e do conhecimento. Qualquer comunidade humana classifica plantas e animais em comestíveis e não comestíveis, por exemplo. E não só porque sejam adequados ou não à alimentação da espécie. Para nós, as vacas são animais comestíveis, mas não para os hindus, que as consideram animais sagrados. Assim, diferentes culturas desenvolvem critérios distintos para classificar, ordenar e hierarquizar aspectos da realidade. E isso vale tanto para a organização das nossas relações com as coisas e animais como para as relações que os humanos travam entre si.

Por vezes, as classificações obedecem a critérios eminentemente práticos, como aqueles que utilizamos para separar o que é ou não comestível ou para arrumar as compras. Noutras ocasiões, elas podem resultar de opções subjetivas e pessoais, como quando alguém prepara uma lista de convidados para sua festa. No campo das ciências da natureza, contudo, as classificações procuram agrupar e separar seres e fenômenos a partir das qualidades distintivas fundamentais que os marcam, de forma a superar escolhas pessoais e interesses imediatos. Assim, uma classificação de animais que tenha como critério a separação entre aqueles que nos agradam ou nos causam medo pode variar significativamente entre indivíduos de uma mesma sociedade. Por essa razão esse tipo de classificação tem sido caracterizada como “subjetiva”, pois se refere mais à relação que o sujeito estabelece com o objeto (a afeição pelo cão, o medo de uma minúscula barata!) do que às características distintivas desses objetos (os animais que tememos ou aos quais nos afeiçoamos). Uma classificação “objetiva”, ao contrário, procurará eleger critérios observáveis que ponham em evidência características consideradas fundamentais para a descrição do objeto classificado, além de explicitar os critérios e seus fundamentos. É nesse sentido que podemos considerá-las “objetivas”: não porque seriam “descobertas” – elas são, claro, inventadas –, mas porque emergem de critérios explícitos e, ao menos idealmente, capazes de superar afecções individuais e mesmo algumas diferenças culturais.

Tomemos como exemplo as diferentes classificações no campo da biologia. O filósofo grego Aristóteles, por exemplo, procurou organizar uma classificação racional dos seres vivos. Estes se dividiam, primeiramente, em animais e plantas. Os animais, por sua vez, classificavam-se em vivíparos (animais quentes e úmidos que produzem descendentes iguais aos pais, como homens e cavalos), ovíparos (animais quentes e secos, que possuem ovos perfeitos, como pássaros e répteis) ou insetos (animais frios que não produzem ovos, mas larvas), dentre outros. Embora essa classificação não seja mais adotada, é considerada a primeira classificação racional no campo da biologia porque foi feita a partir de características anatômicas e fisiológicas dos animais. No século XVII Lineu propôs uma nova classificação, também a partir de características morfológicas, que dividia os animais em mamíferos, aves, répteis, peixes, insetos e vermes.

Em 1969 o biólogo norte-americano Whittaker propôs uma classificação dos organismos vivos que os separa em cinco reinos diferenciados pelos tipos de nutrição e pela organização de suas células. Trata-se de uma classificação feita a partir da posição de cada ser numa cadeia evolutiva, vinculada, portanto, ao caráter histórico que marca a teoria da evolução de Darwin. Esse breve retrospecto de classificações no campo da biologia nos mostra que, mesmo sendo feita a partir de características objetivas, há sempre inúmeras formas de se classificar cientificamente objetos, fenômenos ou acontecimentos. Uma classificação interessante é aquela que nos permite compreender e ordenar a realidade, que nos ajuda a perceber distinções importantes e resolver problemas teóricos e práticos. As classificações, mesmo no campo das ciências, não são abandonadas ou adotadas por se revelarem “falsas” ou “verdadeiras”, mas por se mostrarem interessantes, elucidativas ou (in)úteis.

E, por mais criteriosas que possam ser as classificações, sempre haverá casos limítrofes e ambíguos, como os ornitorrincos, mamíferos ovíparos que desafiam os limites das distinções de uma categoria de classificação biológica. A presença de exceções e casos limítrofes não necessariamente invalida uma classificação e seus critérios de distinção; simplesmente indica que a realidade é sempre mais complexa que as representações que dela criamos e as categorias às quais recorremos para compreendê-la e ordená-la.

 

Professor José Sérgio Carvalho
Livre-docente em Filosofia de Educação na Universidade de São Paulo

22 Comentários

  1. BOM DIA ME CHAMO JHONI . EU E OS MEU AMIGOS DE SALA ESTAMOS ACHANDO O MÁXIMO O QUE A TIM FAZ CIÊNCIA ESTÁ FAZENDO COM TODOS OS ALUNOS.

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      O que você aprendeu de novo com TIM Faz Ciência, Jhoni?

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  2. E o Tim faz ciência está ajudando muito para o mundo ser um lugar muito melhor para se viver

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Kauã, na sua opinião, que coisas do TIM Faz Ciência ajudam a melhorar o mundo?

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  3. oi sou pedro como o tim ciencias veio parar em curitiba .

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Olá, Pedro!
      Há dois jeitos de TIM Faz Ciência chegar a uma cidade: o primeiro é quando a professora ou coordenadora de uma escola fica sabendo do programa e se inscreve para participar; e a segunda é por meio das Secretarias Municipais de Educação que são parceiras do programa e convidam as escolas interessadas.
      Aí em Curitiba existe essa parceria. Se você der uma olhada aqui no site, vai ver que tem um monte de gente de várias escolas de Curitiba que participam de TIM Faz Ciência. 🙂

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  4. Ola eu sou francisco sou aluno da professora Neldy Zimermam Zuco gosto muito do tim faz ciemcias eo maximo

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Do que você mais gosta nas aulas de TIM Faz Ciência, Francisco?

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  5. tim eu andei observando e eu queria saber como surgio a historia do tim

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Olá, Victor!
      O que você tem observado por aí?
      Quanto à sua pergunta, TIM Faz Ciência foi elaborado a partir da afirmação de um pensador muito importante chamado Neil Postman. Ele acreditava que todo conhecimento que produzimos e acumulamos é resultado de algumas operações intelectuais: observar, verificar, classificar, definir, questionar, aplicar e generalizar. Quando levamos essas operações intelectuais para a sala de aula, é como se estivéssemos mostrando aos alunos a “cozinha” dos cientistas, ou seja, mostrando a forma como eles fazem ciência. Nossa ideia é que ao longo do percurso de TIM Faz Ciência vocês realizem essas operações intelectuais e aprendam a reconhecer, aprimorar e falar sobre cada uma delas. Essa é a ideia que está na origem de TIM Faz Ciência.

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  6. Olá TIM faz ciência! Eu amei o percurso classificar e principalmente da história da garça e o rinoceronte.Estou ansioso para terminar este livro e tirar muito proveito dele!
    Até mais!

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Olá, Gabriel!
      O que você já aprendeu com TIM Faz Ciência?

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  7. Ola.tenho uma pergunta de onde surgiu a ideia do tim faz ciencia

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      João e Thiago, a ideia que está na base do programa é de um estudioso norte-americano chamado Neil Postman. Ele acreditava que todo o conhecimento que produzimos é resultado de algumas operações intelectuais que fazemos – exatamente as operações intelectuais que formam TIM Faz Ciência: observar, verificar, classificar, questionar, definir, aplicar e generalizar. Quando a gente estuda essas operações, é como se a gente estivesse entrando na “cozinha” dos cientistas. Assim, vocês entendem tudo que os cientistas fizeram para chegar àquele conhecimento que eles geraram: eles observaram, daí verificaram, daí classificaram o conhecimento, questionaram para ver se estava certo mesmo… e assim por diante.

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  8. adorei o projeto estou apaixonado pelo projeto!é muito bom!eu meus amigos vamos passar para classificar muito bom mesmo!

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  9. Como é legal trabalhar o projeto tim faz ciência eu e meus colegas estamos amando agradecemos a equipe do tim faz ciência!

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      E nós agradecemos a vocês pelo esforço! 😉

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  10. Acho o tim faz ciência muito inportante e legal gosto muito mesmo!

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  11. Eu sou estudante e o nome da minha professora é Adriana Siemerink, faz uns 3 meses que minha sala está trabalhando no Projeto Tim Faz Ciências e eu estou achando um máximo,e claro meus amigos.

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Olá, Bruna!
      Em que operação vocês estão?

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  12. Como é maravilhoso trabalhar O Projeto Tim faz Ciências. Meus alunos estão amando as atividades e estão crescendo em termo de conhecimento.

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    • ESTAMOS TRABALHANDO O CLASSICAR ESSE LIVRO É MUITO LEGAL EU E MEUS COLEGAS GOSTAMOS MUITO!

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