Instituto TIM

Hipóteses, observação e plano de ação

26/08/2014

O professor Samuel Macedo, que dá aula para o 4º ano na EMEIEF Tarsila do Amaral, em Santo André, enviou um relato muito rico sobre a elaboração de hipóteses e a observação do recreio na turma dele. As crianças elaboraram um plano de ação para melhorar o recreio a partir da observação que fizeram, e inclusive criaram novas hipóteses com base no que viram!

 

“Elaborando hipóteses de observação

Antes das crianças elaborarem as hipóteses, busquei por meio de questionamentos levá-los ao entendimento do que era uma hipótese, e que elas precisavam ser verificadas, por meio da observação. Em alguns momentos me reportei à atividade que já haviam realizado para que as informações se tornassem mais concretas e reais para eles.

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Professor – Vocês sabem o que o texto está falando, quando fala que temos que escrever as hipóteses antes da observação aos recreios?
Beatriz – A gente tem que tentar adivinhar o que é, sabe, as perguntas, ou… (não continuou)
Nessa hora lembrei que havia no caderno do professor algumas orientações do caderno “Observar”.
Professor – As perguntas?
Beatriz – Lembra quando a gente tentou adivinhar o que está dentro da caixinha? [durante o jogo 5 “O que é, o que é?”]
Professor – E vocês usaram o que para descobrir o objeto?
Isabelly – Passando a mão em volta dele.
Professor – E você descobriu que objeto era esse por quê?
Isabelly – Por que já havia pegado ele outra vez.
Professor – Alguns objetos não foram descobertos de imediato, vocês precisaram…?
Isabelly – Ver.
Professor – Falando agora da observação que vamos fazer no recreio. Vocês já sabem o que ocorre nos recreios? Vocês já conhecem?
Pedro – Sim, os meninos jogam bola com outros…
Professor – Você tem certeza que todos os meninos fazem a mesma coisa? Usam os mesmos lugares? Ou vocês estão apenas sugerindo por que normalmente os alunos fazem isso no recreio?
Pedro – O que a gente vê nas outras turmas, e quando vamos também brincamos.
Professor – Mas todos brincam da mesma coisa?
Isabelly – Não, tem outras brincadeiras.
Pedro – Não, brincam de outra coisa.
Professor – Então não precisamos adivinhar se podemos ir até o local. Temos possíveis respostas a partir do que a gente SENTE, VÊ, CHEIRA, e… e… OBSERVA para saber se acontece do jeito que a gente pensou.
Isabelly – A gente pode pensar que está certo, mas quando vai olhar está errado, não era.
Professor – Isso! Era uma hipótese.
Professor se reporta de uma atividade que fez anteriormente com a turma.
Professor – Quem se lembra de uma situação-problema que eu fiz com vocês antes do recesso? Eu fiz a situação com algumas hipóteses de respostas. Para vocês verificarem qual era a resposta certa. E o que precisamos fazer para verificar o que estava certo ou errado?
Carlos – Observar?
Professor – O quê, Carlos?
Carlos – Observar?
Professor – Observar, o quê?
Carlos – Observamos a pergunta.
Professor – A pergunta nos ajuda a resolver a situação?
Isabelly – A pergunta nos ajuda a calcular.
Carlos – Se precisa fazer cálculos.
Professor – Agora escrevam as hipóteses de vocês, da forma como vocês pensam que ocorre no recreio das outras turmas.

Após elaborarem as hipóteses a serem verificadas no recreio, consegui fazer com que todos os alunos falassem o que elaboraram. Depois, foram divididos em trios e escolhemos previamente o local que iriam ficar. Falei para eles a respeito da postura de observadores para que observassem e prestassem atenção nos mínimos detalhes.

Foram observados três recreios e tivemos o privilégio de contemplar turmas diferentes: O 3º ano da professora Jéssica e os 1°s anos das professoras Cássia e Rosangela. Chegamos de forma tão sutil, que quase éramos imperceptíveis. Mas não durou muito, pois não pudemos resistir a esses momentos tão significativos, logo nos sentimos em casa, e além de observadores passamos a ser admiradores.

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E enquanto uns brincavam, outros observavam…

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Na aula seguinte, os alunos revisitaram todas as fotografias registradas nas observações dos recreios e perceberam a necessidade de algumas mudanças para o bom andamento do recreio. Isso foi expresso em seus relatos orais e também na elaboração coletiva de um plano de ação para melhorias no recreio.

 

PLANO DE AÇÃO – O RECREIO

 

O que observei??

Problemas encontrados

O que proponho para tornar o recreio melhor?

As crianças no pátio da escola. Tinham adultos e professoras

O espaço é pequeno para o número de crianças. Havia muito barulho! As crianças gritavam e falavam muito alto.

Como o espaço é pequeno poderíamos pedir para as professoras utilizarem outros espaços da escola.

Organizar brinquedos e brincadeiras em cantos.

As crianças brincam de peteca, amarelinha, futebol de botão, boneca.

Alguns pequenos quebraram um carrinho. (Amaram um carro na ponta do carrinho e batia no pé dos outros). Falta de brinquedos para todas as crianças.

Professores e colegas Conversar com os alunos a respeito de preservar os brinquedos.

Partilha de brinquedos entre os alunos (Brinquedos em boas condições e que não são mais utilizados).

    Meninos partilham com meninas jogo de futebol de botão e carrinho. Menino brinca de carrinho com menina.

Um caso de menino que não utilizava corretamente o brinquedo (a professora chamou a atenção).

Algumas brincadeiras não contemplavam outras crianças. Alguns não queriam que o colega participasse das brincadeiras (empurravam).

Propor brincadeiras que possam ser vivenciadas por meninas e meninos. Resgate de brincadeiras de roda para os alunos do 1° ano. Os maiores também podem brincar.

Uma menina brincava de boneca, mas a maioria partilhava brinquedos com meninos (miniaturas de animais, futebol de botão).

Menino e menina brincavam junto de carrinho e meninas e meninas brincavam junto de futebol de botão, peteca, pula corda, relógio.

Não houve conflito. Faltava brinquedos: peçaas de roupa e do corpo da boneca que desapareceram, faltava cubo mágico.

As meninas e os meninos  precisam cuidar e organizar os brinquedos, a professora pode acompanhar e estabelecer as regras.

Desentendimentos para pegar os brinquedos

Quem não brinca fica pintando, desenhando, conversando sentado, fazendo lição.

Faltam opções de brincadeiras (coisas diferentes, talvez colchões).

Achamos que os alunos podem pintar ou escrever coisas nesses momentos, só não pode ser lição. Podem tirar uma soneca, ou  bater papo com um amigo.

No recreio também observamos … Alunos fazendo refeições

e alguns utilizam o banheiro.

Desperdício de alimentos e água no banheiro.

Conversar com as crianças a respeito do prejuízo que causam ao poder público e ao ambiente ao desperdiçar alimento e água.  Fazer o trabalho da coleta seletiva com as sobras, que poderá ser transformado em adubo. Fazer um trabalho de conscientização na escola e comunidade.

 

Observação que suscita novas hipóteses…

Menina pode brincar das mesmas brincadeiras que meninos e vice-versa???

O trabalho com a observação do recreio nos trouxe novas possibilidades de atividades que exploraram o senso crítico dos alunos. Alguns meninos resistem, talvez por questões culturais, à ideia de partilhar brinquedos e vivenciar brincadeiras com meninas, principalmente brincadeiras que envolvem bonecas. Por isso resolvi trazer essa questão para um debate em sala de aula. Para fundamentar as nossas opiniões, trouxe o texto do autor Marcos Ribeiro, que aborda essa questão de gênero, em relação às brincadeiras. Os alunos realizaram a leitura, o estudo do texto (questões que exploram as estratégias de leitura) e na última fase realizamos um debate com a presença das crianças e de funcionários da escola. Havia pessoas diferentes com diferentes formas de pensar. Abaixo o professor foi registrando as opiniões dos participantes da mesa redonda.

 

Mesa redonda com troca de opiniões sobre o tema: “Menino brinca de boneca?”

QUESTÕES-1

5 Comentários

  1. Lorrana: gostei muito do trabalho de voces, na nossa escola nós também trabalhamos no caderno Tim faz ciencia

    Eduarda: gostei muito das fotos da turma de voces, e dos trabalhos imteressantes que voces estão fazendo.

    E.m.e.f. Afonso Guerreiro Lima

    Responder
    • Olá Sophia,

      Você não participou da primeira fase do projeto, a forma de pensar: “Observar”. Mas já é integrante do grupo, e pode caminhar conosco nos demais percursos. Além disso, poderá ter acesso aos nossos relatos e imagens para entender o nosso início de caminhada.

      Seja bem vinda!
      Professor Samuel

      Responder
  2. Após a observação do recreio, os relatos dos alunos foram importantíssimo e precisos. Porque a parti do que nos falaram, fomos em busca de soluções para um recreio mais dinâmico com entretenimento ( livros didáticos ), músicas e brincadeiras.

    Responder
    • Equipe TIM Faz Ciência

      Vanderlucia, conte mais sobre a observação.
      O que os alunos concluíram com seus relatos? Quais soluções vocês buscaram para melhorar o recreio? Vocês estão sugerindo novas brincadeiras e músicas aos alunos? O que vocês sugeriram de entretenimento?

      Responder

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