Instituto TIM

O ensino de ciências na visão dos alunos

07/02/2017

O que os jovens pensam sobre o ensino de ciências? Essa é uma das perguntas que o projeto ROSE (The Relevance of Science Education, ou A Relevância do Ensino de Ciências, em português) busca responder. Esse projeto nasceu há 15 anos na Universidade de Oslo, na Noruega, e foi desenvolvido com a colaboração de pesquisadores de vários países. O objetivo do ROSE é oferecer informações sobre a postura dos estudantes na faixa dos 15 anos em relação à ciência. Isso é feito por meio de um questionário que já foi aplicado em cerca de 40 países, incluindo o Brasil.

“Ele não é um instrumento de coleta de dados, como é o PISA e o ENEM, não é de desempenho. As questões do ROSE não têm certo ou errado. É mais próximo de um instrumento de pesquisa de opinião do que de uma pesquisa de desempenho”, explica Luiz Caldeira, professor do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Luiz foi o responsável por aplicar o questionário pela primeira vez no Brasil, entre 2007 e 2008. A experiência foi tema de sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP), que pode ser acessada aqui.

O questionário do ROSE é extenso, mas traz indicadores bem importantes para entender a relação dos jovens com a ciência. Os estudantes são convidados a marcar, em uma escala de 1 a 4, qual seu nível de interesse em aprender certos temas, que aspectos gostariam que sua futura profissão tivesse, suas opiniões sobre as aulas de ciências e sobre a ciência e a tecnologia em geral, entre outras (você pode conferir o questionário completo adaptado para o português a partir da página 156 da tese de Luiz). “A ideia dele é complementar os dados obtidos pelos instrumentos quantitativos de desempenho, para que professores, pesquisadores, formadores de opinião, executores das políticas públicas tenham mais um elemento para tomar suas decisões. Um elemento baseado na voz do estudante”, afirma Luiz.

Mesmo que o projeto ROSE seja voltado para jovens de 15 anos, o questionário pode ser adaptado para alunos de qualquer idade, de acordo com os temas que compõem o currículo de cada turma. Para crianças, uma alternativa é projetar as questões na sala de aula e pedir para os alunos responderem por meio de carinhas. Luiz ainda sugere que o questionário seja aplicado nas primeiras semanas de aula. “A ideia é você escutar seus alunos para fazer um planejamento sob medida de acordo com os interesses daquela turma.”

O professor aplicou o questionário com 652 alunos de São Caetano do Sul (SP) e Tangará da Serra (MT). Alguns anos depois, sua colega Ana Maria Santos Gouw também realizou o projeto como tema de sua tese de doutorado na USP (consulte neste link) – desta vez, 2.365 alunos de 84 escolas em todos os estados brasileiros responderam o questionário. Algumas das descobertas foram que o assunto que mais interessa às meninas é saúde, enquanto os meninos preferem tecnologia. No geral, os temas que os estudantes mais gostam são os relacionados à Biologia Humana. Os alunos ainda mostraram uma visão positiva das aulas de ciências e da área de ciência e tecnologia em geral. O índice de interesse dos jovens brasileiros pela ciência é maior do que os registrados em países como Japão, Finlândia, Suécia e Dinamarca.

Após essas duas pesquisas, Luiz soube de vários professores que também aplicaram o questionário com suas turmas de forma independente ou utilizaram os resultados apresentados nas teses para aprimorar suas aulas. “Qualquer professor pode acessar o questionário, aplicar com seus alunos e, a partir daí, repensar suas práticas”, diz. “É uma forma do professor conhecer melhor seus alunos, o que eles pensam em relação à ciência.” Luiz ressalta que não tem que ensinar só o que os estudantes querem aprender, mas que o questionário ajuda a chegar em um caminho que una as duas partes.

2 Comentários

  1. Hoje minha primeira aula de ciências, os alunos do 5º ano foram alunos do 4º ano passado, foi muito legal ele lembraram a história do Zé e da Dorotéia e no conceito de ciências lembramos as 7 Operações trabalhadas. É gratificante quando se tem retorno e principalmente de um ano para outro, pois vimos que eles realmente memorizaram.
    Profª Jane
    EM Profª Donatilla Caron dos Anjos
    Curitiba – Pr

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    • Equipe TIM Faz Ciência

      Jane, é muito bom saber que seus alunos não só conheceram todas as operações no ano passado, como também se apropriaram delas e lembram com carinho das atividades realizadas em TIM Faz Ciência! Você pretende continuar explorando as operações intelectuais nas aulas este ano?

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