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Cientistas brasileiras em destaque

08/03/2016

Mesmo que a ciência ainda seja uma área em que os homens são a maioria dos profissionais, cada vez mais mulheres estão ganhando destaque à frente de pesquisas. A organização TED, que promove palestras e conferências em diversos países, fez uma lista de 12 mulheres cientistas que fazem trabalhos incríveis – e duas delas são brasileiras!

Conheça mulheres que foram pioneiras da ciência no Brasil

A bióloga Marcela Uliano da Silva tem uma difícil missão: impedir que os mexilhões dourados cheguem aos rios da Amazônia. Essa espécie de molusco é considerada uma invasora aqui no Brasil. Os primeiros mexilhões dourados vieram de carona com navios chineses, infiltrados na água de lastro – água do mar utilizada em navios quando eles estão sem carga. Eles primeiro chegaram na Argentina no começo da década de 1990 e logo começaram a subir pela América do Sul. Agora, já são encontrados no Pantanal.

O problema desses mexilhões é que eles causam um desequilíbrio nos ambientes que não são seu habitat natural. Eles se reproduzem rapidamente e se alimentam de muitas algas. Assim, a luz do Sol penetra mais na água dos rios e afeta os peixes que vivem perto da superfície, levando muitos deles à morte. O mexilhão dourado também não é fácil de digerir, e as espécies de peixes que tentam se alimentar dele são prejudicadas.

Por isso Marcela está estudando os genes dessa espécie, que são responsáveis pelas suas características. A intenção é descobrir os genes que facilitam a sobrevivência dos mexilhões dourados e criar uma solução para impedir que eles continuem se espalhando pelo país, sem que prejudique outros seres vivos e o meio ambiente. A bióloga fez um vídeo explicando um pouco de seu trabalho.

 

 

No caso da engenheira florestal e conservacionista Patrícia Medici, sua luta é para preservar as antas no Brasil. Há 20 anos, Patrícia coordena pesquisas no Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) sobre esse animal, que é o maior mamífero terrestre da América Latina e pode pesar até 300 quilos. Infelizmente, a anta-brasileira é classificada como uma espécie vulnerável – ou seja, se não cuidarmos de sua proteção, ela pode correr risco de extinção.

Muita gente usa a palavra “anta” para dizer que alguém não é inteligente. Mas no mundo animal é exatamente o contrário: além de ser inteligente, a anta é muito importante para a natureza. Esse bicho é considerado um “jardineiro da floresta”, porque se alimenta de muitas frutas e ajuda a espalhar sementes por onde passa. O problema é que boa parte do habitat onde a anta vive está sendo destruído. Ainda por cima, muitas delas morrem atropeladas em estradas ou são caçadas por seres humanos.

Quando Patrícia começou seu trabalho, em 1996, existia pouca informação sobre as antas. Hoje já se sabe muito sobre o modo de vida desses animais por causa do monitoramento e estudo feitos pela engenheira florestal e sua equipe. Eles começaram pela Mata Atlântica, seguiram para o Pantanal e agora estão acompanhando a situação das antas no cerrado. Saiba mais sobre o trabalho de Patrícia na palestra que ela deu em 2015 em um evento do TED.

 

 

Confira a lista completa do TED com as 12 cientistas de destaque no site da organização (em inglês) ou na versão traduzida em português no site Awebic.

2 Comentários

  1. “Muita gente usa a palavra ‘anta’ para dizer que alguém não é inteligente.” Com base nessa colocação pode-se dizer que o homem foi o único animal que precisou afastar da própria Natureza para conhecê-la. Ou seja: não se sente parte integrante dela. Claro que quanto mais distante da Natureza, mais pressupõe inimizade, destruição. Os outros animais se comportaram de maneira diferente: quanto mais próximo da Natureza, se percebe parte integrante dela!!! Até breve.

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  2. Assisti os dois vídeos e achei fantástico. Onde moro tem alguns mexilhões e já comi muitos deles, como também uma espécie conhecida na minha região como tarioba, uma delícia a sua moqueca. Inclusive a tarioba é muito escassa hoje por aqui. Seu habitat são as coroas que ficam emersas na hora da maré baixa. Os mexilhões dourados são meio assustadores e ameaçadores, apesar de seu pequeno tamanho. Parabéns pelo excelente trabalho Marcela Silva. Continue nessa sua força. Pesquisar não é uma tarefa tão fácil. Sei q muitos vão desfrutar do resultado de tudo isso. Até breve.

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