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Como o Ceará ajudou a tornar Einstein famoso

06/05/2015

Neste ano, a Teoria da Relatividade Geral, criada pelo físico alemão Albert Einstein, completa 100 anos. Ele divulgou essa teoria em um artigo de apenas quatro páginas, mas foi o suficiente para transformar a ciência até hoje. Sabe por quê? Até 1915, todo mundo pensava que nós ficávamos presos à Terra ou que nosso planeta girava em torno do Sol, entre outras coisas, por causa da força da gravidade, como o físico inglês Isaac Newton tinha mostrado há alguns séculos.

Mas para Einstein, havia algumas coisas que não faziam sentido nessa teoria. E depois de muito estudo, ele percebeu que a gravidade não é uma simples força que causa atração entre os corpos. A explicação para isso começa com algo muito maior, que ele chamou de espaço-tempo. Imagine uma rede bem grande, com várias bolinhas. Quando colocamos uma bola pesada, a rede afunda e as bolinhas se aproximam da bola grande. É como se o espaço-tempo que forma o nosso universo fosse essa rede, e todos os corpos grandes, como uma estrela ou um planeta, fossem a bola pesada. Assim, eles “afundam” o espaço-tempo e mudam a direção do que está vindo ao seu redor.

É claro que muitos cientistas achavam que Einstein estava errado. Afinal, como ele poderia desafiar a teoria de Newton que todos consideravam certa há tantos anos? Porém, uma equipe de cientistas ingleses resolveu colocar à prova a Teoria da Relatividade Geral aproveitando a ocorrência de um raro eclipse solar total em 1919. E é aí que uma pequena cidade do interior do Ceará entra na história.

A ideia dos cientistas era fotografar as estrelas ao redor do Sol em dois momentos: durante o eclipse – quando a Lua estivesse encobrindo sua luz e ficasse escuro – e mais tarde, à noite. Se o Sol causasse mesmo uma curva no espaço-tempo, a luz das estrelas também seria desviada quando passasse por ele. E isso poderia ser verificado se a posição das estrelas durante o eclipse fosse diferente da posição à noite, quando o Sol já estivesse fora da direção.

A equipe se dividiu em duas para observar o eclipse, que seria visível em poucos lugares do planeta: uma parte dos cientistas foi para a Ilha do Príncipe, na África, e a outra veio para Sobral, município do interior do Ceará que fica a 230 quilômetros de Fortaleza. Na ilha africana o dia do eclipse foi bem chuvoso e as fotos foram prejudicadas pelo céu cheio de nuvens. Já em Sobral, o céu estava azulzinho. As fotos foram tiradas e veio o resultado: as estrelas apareciam em posições diferentes durante o eclipse e à noite, com quase a mesma diferença que Einstein tinha calculado. De um cientista conhecido em sua área, ele passou a ser famoso no mundo todo quando os jornais divulgaram a comprovação de sua teoria, realizada aqui no Brasil.

Em Sobral, esse feito histórico foi homenageado com o Museu do Eclipse. Ele foi inaugurado em 1999 e fica na Praça do Patrocínio, mesmo local onde ocorreu a observação dos cientistas. Lá dá para conhecer mais detalhes e ver as lunetas e as fotos originais dessa pesquisa. Além disso, tem um simulador de eclipses, uma réplica do Sistema Solar e muitos materiais astronômicos em exposição. O museu também tem um observatório com o telescópio mais potente das regiões Norte e Nordeste.

 

Saiba mais: A Teoria da Relatividade Geral pode ser confusa de entender no começo, não é mesmo? Para tentar deixá-la um pouquinho mais simples, o site Brasil Post fez um vídeo que explica essa teoria em dois minutos.

 

 

Fontes:
 Superinteressante
Estado de Minas
Seara da Ciência (Universidade Federal do Ceará)

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