Instituto TIM

Hipóteses e ações para combater a violência escolar

07/12/2016

Durante a etapa Verificar, a professora Roseli Ferreira Gonçalves percebeu que seus alunos do 4º ano da EM Rotary, de Belém (PA), estavam com um pouco de dificuldade para entender o que são problemas, hipóteses e verificação. Além de explicar o que significa cada termo e contextualizá-los a partir das histórias do percurso, a professora sugeriu uma atividade prática. A turma tinha que destacar algum problema que acontece na escola e que gostaria de descobrir as causas. O mais votado e escolhido como tema para a investigação foi a violência entre os alunos no ambiente escolar.

As crianças levantaram três hipóteses como causa desse problema: os xingamentos entre os alunos, as brigas que ocorrem em sala de aula e a violência familiar, que faz com que as crianças reproduzam isso na escola. Para verificar as hipóteses, os estudantes se revezaram para observar o comportamento dos colegas durante o recreio e em todas as salas de aula, além de observar suas próprias famílias em casa. Eles perceberam que há muitas acusações e brigas e provocações entre os alunos, mesmo dentro da sala de aula. A maioria também relatou que presenciou agressões, palavrões e ações de violência em casa. “Houve momentos impactantes, pois os alunos se emocionaram ao falar sobre o assunto”, diz Roseli.

A turma sugeriu várias ações para tentar solucionar o problema. Em relação aos colegas, eles fizeram cartazes e visitaram todas as salas para contar o que observaram e conversar sobre o tema. “Eles falaram da importância de não brigar, não pegar material dos colegas sem pedir, ser educado, pedir licença ao passar, não empurrar os outros…”, comenta a professora.

Para as famílias, a garotada sugeriu elaborar folders e conversar com os pais durante as reuniões sobre como a violência familiar influencia o comportamento e a aprendizagem das crianças na escola. “Conseguimos o apoio da direção, que mandou fazer mais de 280 cópias do folder”, relata Roseli. Eles foram distribuídos pela turma no horário de entrada dos alunos, quando muitos pais ficam um tempo a mais na escola para acompanhar a execução dos hinos do Brasil, do Pará e de Belém, que acontece toda segunda-feira. A coordenadora da escola explicou a ação aos pais e pediu para que eles lessem o folder com bastante atenção.

Já as conversas com os pais sobre o assunto aconteceram em duas reuniões, uma com os pais dos alunos de Roseli e outra na reunião geral da escola. Tanto a professora quanto a coordenadora explicaram que as crianças reproduzem o que vivenciam no ambiente familiar e que, geralmente, elas são as maiores vítimas nos casos de violência familiar. Roseli mostrou desenhos e textos que os alunos fizeram para expressar o que sentiam sobre a violência em suas famílias, tomando o cuidado de não identificar os autores para não constranger ninguém. Ela conta que os pais reagiram bem às ações, demonstraram interesse e inclusive reconheceram as atitudes observadas pelas crianças em casa.

As ações já começaram a causar mudanças na escola. “Os alunos mudaram sua postura, falam abertamente sobre o assunto e conversam com os colegas para não terem atitudes violentas”, comenta a professora sobre sua turma. Entre os outros estudantes, o resultado também foi positivo. “Percebi que com o trabalho que estamos desenvolvendo, melhorou muito a questão da violência. Antes, toda hora tinha crianças indo para a secretaria por causa de brigas. Agora, elas vão bem menos.”

2 Comentários

  1. Professora, são pessoas como você que reacendem nossa esperança em um mundo melhor.
    Parabéns por você e seus alunos.

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  2. Que belo trabalho. Nossas crianças merecem ações deste tipo e professores tão dedicados quanto você professora. Parabéns!!!!!

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