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Caatinga: a vida no bioma que é só do Brasil

10/07/2017

Quando pensamos na caatinga, normalmente vem à cabeça uma paisagem seca, com pouco verde, parecida com um deserto. Mas a caatinga abriga muito mais vida e surpresas do que podemos imaginar! Para começar, é o único bioma exclusivamente brasileiro – isso significa que não existe paisagem nenhuma como a caatinga em qualquer outro lugar do mundo. Ela se estende por todos os estados do Nordeste (exceto o Maranhão) e por uma parte do norte de Minas Gerais, em uma área que equivale a 11% de todo o território nacional.

Por ser um bioma único no mundo, também existem plantas e animais que são endêmicos da caatinga, ou seja, só são encontrados por lá. Esse é o caso do mandacaru, do xique-xique e do umbuzeiro, entre as 323 espécies endêmicas de plantas, e da arara-azul-de-lear, do guigó-da-caatinga (primata) e do mocó (roedor), entre as 327 espécies endêmicas de animais. No total, vivem na caatinga mais de mil espécies de plantas e de 1,4 mil espécies de animais, mas estima-se que esses números podem ser ainda maiores. Nada mal para uma região que enfrenta longos períodos de seca, com apenas 3 ou 4 meses com chuva, em um clima chamado semiárido.

Para sobreviver a esse clima, as espécies têm que se adaptar. Não é à toa que a vegetação costuma ser baixa, retorcida, com muitos galhos secos e espinhos: quanto menor a superfície das plantas, menos água será evaporada. Algumas têm raízes profundas para aproveitar o máximo possível de umidade debaixo do solo; outras têm meios para armazenar água no organismo. Essas características deram nome à caatinga, que significa “mata branca” em tupi-guarani. Entretanto, nos períodos de chuva, essa mata branca se transforma em uma paisagem verde, com plantas cheias de folhas e flores. É como se existissem duas caatingas!

E em meio a essas paisagens, há regiões nas serras nordestinas chamadas brejos de altitude, que misturam aspectos da caatinga e de florestas úmidas. Os brejos de altitude são uma herança de como era a caatinga há milhares de anos: uma floresta tropical. Nem parece, mas a caatinga já foi parecida com a Mata Atlântica! Com o passar do tempo, a temperatura do planeta ficou mais quente e transformou a paisagem e o clima do sertão nordestino. Como os brejos de altitude estão em locais muito altos e com mais incidência de chuvas, eles mantiveram características das florestas tropicais que dominavam a região.

Conhecer a caatinga e os brejos de altitude é essencial para contribuir com a sua proteção, já que as duas regiões são afetadas pelo desmatamento. Além disso, a caatinga está sofrendo nos últimos cinco anos a seca mais intensa de que se tem registro. Por mais que períodos secos sejam normais nesse bioma, as mudanças climáticas estão fazendo com que os períodos de chuva diminuam cada vez mais. Nesta matéria do portal UOL, o meteorologista José Antônio Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), diz que se não tomarmos nenhuma medida para proteger a caatinga, ela pode virar um grande deserto.

Separamos alguns materiais para você saber mais sobre a caatinga. Confira o infográfico abaixo com dez curiosidades sobre o bioma, feito pelo jornal Tribuna do Ceará, e outros links.

 

 

Saiba mais:
Ministério do Meio Ambiente
Invivo – Fiocruz
Superinteressante
Ciência Hoje das Crianças
Ecologia e conservação da caatinga (UFPE)

Créditos da foto em destaque: Maria Hsu/Wikimedia Commons

 

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